“And I never wanted anything from you – except everything you had and what was left after that too”
Não tem como descrever direito o que aconteceu na terça-feira última (terça-feira significando aqui tudo o que aconteceu até eu dormir na quarta, certo?). A experiência foi surreal! O moderado festival, Summer Soul Festival, prometia atrações que culminavam na performance pop e teenager de Bruno Mars. Primeiro viriam as inglesas Dionne Bromfield e Rox. Mais tarde, o brasileiro Seu Jorge e, enfim, o estadunidense/havaiano/porto-riquenho/filipino Bruno Mars. Mas o importante, meus caros, estava exatamente no meio, na terceira apresentação do evento. Com as luzes apagadas e a platéia em convulsão, dispensando a contagem regressiva que precedeu o início de todos os outros shows, entravam em cena Florence + The Machine.
E apesar de ter-me preparado para o momento, não deu certo. Foi tudo muito mais absurdo, muito mais extraordinário do que se poderia ter imaginado, de verdade! A banda destoava de todo o resto que estava escalado para aquele dia, tanto no tipo de som que faziam (e fazem), quanto na própria produção do espetáculo. Harpa, duas baterias, backing vocals, piano, um baixo fenomenal e a voz suave e agressiva de Florence Welch – tudo isso cria um som tão orgânico, tão rico que o torna singular e inconfundível. É impossível ignorar uma banda assim, ame-a ou deteste-a. Só que, se o caso for detestar, amigos, recomendo ouvir direito – recomendo, até, ler direito.
Não menos que mágico, foi uma daquelas experiências que tornam quase plausíveis a levitação e o nirvana. Agridoce, profano e sagrado, suave e feroz. Não há nada que não seja encantador a respeito de Florence + The Machine. A beleza e a força da vocalista no palco são um show a parte – e ao mesmo tempo, apenas parte da completude cósmica da banda. De modo maravilhoso, a banda foi a atração mais interessante de todo o festival, e não só porque é, de fato, algo extremamente singular, ainda mais em terras brasileiras. Flo Welch e sua banda são mais que únicos. São, enquanto manifestação de tantos contrastes, a própria condensação de sonhos, de extremos; a materialização artística do maior desafio de todos: o equilíbrio – ainda que flertando claramente com todo o caos.
Foi como uma celebração ao caos, e ainda o expiar de todos os demônios. É outra alma, daqui em diante; é outra vida. E tudo o que se seguiu apenas coroou o dia como um daqueles que serão lembrados pra sempre porquanto seu significado dura e perdura.
Então, por fim, mais um brinde – mas, dessa vez, não ao equilíbrio como em outubro passado, mas ao sonho.
“I am done with my graceless heart, so tonight I’m gonna cut it out and then restart”