Parker; hands

Então ele tomou aqueles dedos claros e sutis, que um dia já foram fugidios, mas que agora não hesitavam. A mão fina o aceitava, o perdoava; e quando tocou a dele, mão forte e ferida de um homem que aprendera a ser, disse tudo o que havia para ser dito num daqueles tremores que a gente sente quando se aquece. Nesse momento, tudo parou. As pessoas ao redor não mais existiam. Não havia mais o som dos carros lá fora, na rua quase que feita de neon; tampouco existia qualquer coisa semelhante a oxigênio.

Porém o homem, forte, já não precisava mais respirar. As feridas não o tornaram duro, sisudo, mas consciente e real – mais real que nunca. Ele enfim fechou sua mão em torno daquela, pequena, de mulher que já entendia havia muito dos mistérios; e dessa vez ele realmente estava ali, inteiro. Os problemas haviam ficado lá fora na mudez da vida – os outros problemas, pois finalmente ele compreendera o que era importante.

Assim o entendimento se sentiu seguro pelo toque das mãos e espalhou-se pelos dois naquela forma sincera de abraço que chamamos de “entrega”. Depois foi se espalhando para as faces e para os olhos – que até então só ecoavam o que o toque proferia. Os dois corpos já estavam ali inteiros, ressonando as coisas do passado e do futuro.

Daí, por fim, a ressonância os fez movimentar naquela dança. Uma dança clara, intensa e sem música.

[Follow-up to Spider-man 3 Last Scene]

2-in-1

Gosto muito da canção e gosto muito da Lily Allen #comofas? Um cover talvez? Combinou muito bem comigo hoje, de certo modo – e virou mais um shard.
No fim das contas, gostei duas vezes dessa performance no BBC Radio 1 Live Lounge. Aliás, tenho que dizer que tudo o que eu vi da BBC até o presente momento foi muito, muito bom! Baixar os três albuns do Live Lounge não tem contra-indicações, fica dica.